ALGAS AQUÁRIO MARINHO

Algas Aquário Marinho

Algas aquário marinho

ALGAS DO AQUÁRIO MARINHO


Vou explicar o pouco que sei sobre aquelas algas indesejáveis que surgem em nosso aquário, é um dos principais motivos que fazem o aquarista abandonar o hobby, muitas vezes no inicio, quando acaba o ciclo do nitrogênio, quando as bactérias aeróbicas já consumiram todo o nitrato, ou mesmo em aquários já estabilizados.Às vezes todas as tentativas são feitas para remover estas algas, mas nada parece surtir efeito, elas continuam a crescer ou reaparecem, mas com certeza com paciência, persistência e estudo, o aquarista terá sucesso. Quanto mais se lê mais se aprende sobre estas algas e logo dominará o assunto e saberá como lidar em cada situação.

Geralmente, o aquarista que vai montar seu aquário marinho faz questão de colocar muitas rochas, destas vendidas em lojas de aquarismo, estas rochas contêm vários buracos, são bonitas, mas futuramente, se não houver um complexo sistema de circulação de água, se tornarão depósitos de matéria orgânica, um prato cheio para algas filamentosas.

A instabilidade nos parâmetros (veja parâmetros neste site) muitas vezes é um dos fatores que podem ocasionar o surgimento de algas indesejáveis, pondo em risco os corais, peixes e invertebrados.

Já sabemos que o excesso de nutrientes ou de iluminação contribui para a proliferação de algas, lembrando que o excesso de matéria orgânica na coluna d’água interfere na penetração da luz. As micro algas zooxantelas, que fazem simbiose com corais, necessitam quase que totalmente da luz para fornecer nutrientes aos corais através da fotossíntese, algas e as substâncias liberadas por elas irão impedir a penetração da luz, pois a água se torna amarelada impedindo a penetração do aspéctro bom da luz (azul). Alguns corais podem se adaptar às condições de iluminação, mas outros não, principalmente corais SPS.

O exagero na iluminação também deve ser considerado. O Skimmer é fundamental para exportar nitratos, silicatos e fosfatos. O carvão ativado é importante para adsorver componentes orgânicos e toxinas liberadas pelas algas, e TPAs ajudam muito na qualidade do sistema. AS toxinas expelidas pelas algas são vistas como um meio de defesa contra predadores.

Macro algas e micro algas fazem parte do ecossistema do aquário marinho, e é benéfico, mas é preciso ter controle sobre elas, é preciso ter estabilidade. Macro algas são bem vindas no aquário marinho, são competidoras de nutrientes, consomem nitratos e fosfatos, servem de alimento para animais herbívoros, com isto os corais ficam sadios pois gostam de água com pouquíssimos nutrientes, mas é preciso conhecimento para saber que espécie tem no aquário, pois muitas são verdadeiras pragas ou acabam sendo em virtude de sua proliferação desordenada. A proliferação destas macro algas pode ocorrer devido aos peixes herbívoros ficarem “cortando” pedaços ou expelindo através das fezes, daí estes esporos irão dar origem às novas algas se não forem exportadas. Muitos aquaristas utilizam macro algas, como as das espécies Caulerpas, em refúgio, que é um local separado do aquário, geralmente fica no Sump, onde seu controle se torna mais fácil.

Um exemplo de algas benéficas são as algas coralinas, ou algas pink,que são algas calcárias incrustantes. Elas se fixam nas rochas impedindo que algas filamentosas ou outras algas indesejáveis se instalem, elas ocupam o lugar. As algas calcárias verdes da espécie Halimeda spp, favorece na manutenção do cálcio, são compostas de esqueleto calcário e quando morrem este cálcio é aproveitado, pois consomem grande quantidade de cálcio. Estas algas estão presentes em todos os recifes de corais. Lembrando que indicam parâmetros estáveis e surgem somente em aquários maturados. Existem várias espécies destas algas coralinas incrustantes bem como as cores são variadas.

Não poderia faltar neste item de algas benéficas as micro algas zooxantelas (veja artigo neste site), as que obviamente queremos em nosso aquário, pois são elas as responsáveis em alimentar nossos corais, em simbiose, que pela fotossíntese, quase 100% dos nutrientes necessários são fornecidos por estas algas. As micro algas zooxantelas também estão nos moluscos bivalves, gorgônias, anêmonas, tridacnas, esponjas e outros. Vale lembrar que estas algas necessitam de amônia, nitrato e fosfato para seu metabolismo, razão pela qual não devemos zerar totalmente estes elementos, mas devemos deixar estes níveis quase indetectáveis.

Outro fator que contribui para a proliferação de algas é a dosagem excessiva ou descontrolada de suplementos, o aquarista se vê num ambiente onde é vendido de tudo com promessas para o sucesso dos corais, então ele compra de tudo e vai dosando para ver resultados, elementos traços e iodo principalmente são pratos cheios para algas, pois estas consomem mais depressa do que os corais, se multiplicando com mais facilidade e consumindo cada vez mais.

Algas indesejáveis no aquário marinho:

Algas Marrons estão relacionadas como o Ciclo do Nitrogênio, portanto, se você está com algas marrons no aquário veja se o filtro biológico está correto e funcional, acrescente mais bactérias em caráter de urgência.

Diatomáceas, que geralmente surgem ainda no ciclo do nitrogênio (primeiras semanas da montagem do aquário) em virtude do alto índice de silicato, mas ao estabilizar elas desaparecem e só voltarão por algum descuido, como por exemplo, excesso de matéria orgânica, sobras de comida, etc. Para resolver este problema basta eliminar este excesso exportando para o Skimmer, filtros com carvão ativado, colocar caramujos, peixes herbívoros e outras providências que constam na página “Diatomáceas” neste site.

Cianobactérias, ou algas vermelhas, que são procariontes isto é, são classificadas como algas e bactérias por possuírem as mesmas características. Cianobactérias podem ser unicelulares, ou seja, de uma única célula, colônia de células únicas ou cadeia de células filamentosas. Também surgem quando o aquário ainda está passando pela ciclagem, mas depois somem. Normalmente em aquários já maturados aparecem pela fraca circulação de água porque se fixam principalmente em buracos encontrados nas rochas onde se acumula matéria orgânica. Geralmente de cor avermelhada forte ou azul. Possuem uma grande flexibilidade a adaptações bioquímicas, fisiológicas, genéticas e reprodutivas. TPAs com maior frequencia é aconselhável neste caso. O filtro UV previne o surgimento de cianos. Você também encontra outro artigo sobre Cianobactérias neste site.

Alguns artifícios são utilizados para eliminar cianobactérias (ou algas), tais como: antibióticos, água oxigenada, fungicida, um remédio chamado Fluconazol, os vendidos em lojas de aquarismo e outros que postarei inclusive a dosagem, assim que possível, mas somente em último caso isto deverá ser usado, pois poderá danificar o filtro biológico ocasionando aumento da amônia e nitrito e as consequências irão piorar a situação em curto prazo. Não é necessário ter altos níveis de fosfatos na água para que elas surjam, como são principalmente mais bactérias do que algas, elas podem vir de “carona” em algum coral, rocha, moluscos e outros, por isto recomenda-se a quarentena ou aplicação de produtos vendidos em lojas de aquarismo para esta finalidade.

Dinoflagelados, algas unicelulares que reproduzem rapidamente e as rochas ou substrato ficam geralmente de cor marrom (com textura gelatinosa), mas dependendo da espécie pode variar. É identificada pelas bolhas de oxigênio que ficam grudadas junto a elas, porém nem sempre.

Estas algas podem sufocar os corais, peixes e outros invertebrados liberando toxinas (ficotoxinas), que é sua defesa química contra predadores. Você pode removê-las com sifonagem e limpeza das rochas, mas isto não resolve o problema, pois elas irão voltar.

TPAs semanalmente; diminuir matéria orgânica (comida de peixes e corais); deixar o PH em 8.4, aumentar um ponto o grau de salinidade e carvão ativado irá resolver o problema. Há mais matérias sobre Dinoflagelados neste site.

Bryopsis, alga de cor verde escuro, com filamentos que faz lembrar uma pena (Bryopsis plumosa). Esta alga não some naturalmente como muitas outras, por isto é preciso tomar providências: Diminuir a quantidade de nutrientes, aumentar o número de bactérias. Subir o nível de Magnésio e colocar removedores de fosfatos. Elas demoram para sumir, mas se persistirem diminuir também a quantidade de luz por 3 dias, nesta altura já estão bem enfraquecidas e é possível tirar manualmente ou limpar com uma escova.

Derbesia, estas algas filamentosas são as mais difíceis de remover, se parecem com fios de cabelos e se reproduzem (sexualmente) rapidamente podendo sufocar todos os corais. Terá que remover o fosfato da água e diminuir a iluminação para que elas desapareçam. Neste período o PH deverá ficar em 8.4 não menos. Utilizar excelentes filtros bem como o Skimmer. A remoção manual ajudará bastante. Você encontra outro artigo sobre Algas Derbesia neste site.

A alga Enteromorpha é uma alga sifonada que, a olho nu, parece igual à Spirogyra e Derbesia, mas desaparecem logo com controle nos nutrientes e parâmetros.

As algas filamentosas chamadas de algas cabelo, geralmente vermelhas, costumam causar infestações se não tomar certas providências. Acrescentar caramujos herbívoros, mini paguros, turbo snails, ofiúros e camarões. TPAs com sifonagem, diminuir alimentação dos peixes e corais. Estas algas surgem quando os níveis de fosfato e nitrato estão altos, causado principalmente por excesso de matéria orgânica na água. Aquários com substrato de halimeda estão mais propícios ao surgimento de algas filamentosas, pois acumula matéria orgânica devida sua alta granulação. Removedores de fosfato e “remédios” vendidos em lojas de aquarismo podem resolver o problema, mas deve-se verificar a causa e corrigir senão elas voltam. Parâmetros estáveis, iluminação ideal, bom Skimmer e manutenção de bactérias são fatores positivos na prevenção de algas filamentosas de diversas espécies. Você encontra vários artigos neste site.

As algas Valonias são de fácil reconhecimento no aquário, pois se parecem com umas bolinhas verdes, a colônia se parece com cacho de uva, também conhecida como “algas-bolha”, onde cada bolha é uma célula. Se não houver algas calcárias o problema pode aumentar, pois as algas calcárias (pink) ocuparão o espaço delas. Quando retiradas manualmente deve-se evitar estourar alguma bolha para não ocasionar uma superpopulação. Mas tem um texto exclusivo sobre algas Valonias neste site.

O ideal seria a prevenção, parâmetros ideais e constantes e principalmente um bom Skimmer, que é o item mais importante dos acessórios do aquário. Óbvio que há outros itens que merece atenção, como por exemplo: circulação d’água, baixos níveis de nutrientes, iluminação, etc.

Uma dica legal é adicionar ácido ascórbico (vitamina C) na água do aquário, umas 2 vezes por semana em doses mínimas, tipo 1/4 colher de café para 100 litros, mas isto não é regra, vai da observação do aquarista. O ácido ascórbico é um oxidante que ajuda reduzir o material orgânico em conjunto com o Skimmer.

Também se pode prevenir o surgimento de algas através de TPAs semanais (rigorosamente), sifonagem do substrato com reposição de bactérias. Estas bactérias você encontra facilmente em lojas de aquarismo. Eu aconselho qualquer aquarista à repor bactérias, se possível toda semana, elas fazem um trabalho de limpeza incrível, mas tem um curto período de vida.

Por falar em substrato, eu aconselho não utilizar um substrato alto para não camuflar o fosfato, por isto citei acima sifonagem com reposição de bactérias. Nas rochas também se fixam bactérias. Estas bactérias são as que consomem o fosfato e nitrato. Estou quase tirando totalmente o substrato, meu aquário já está totalmente estabilizado e reponho bactérias.

A equipe de limpeza também colabora muito na limpeza do aquário e ajuda eliminar fosfatos. Caramujos, caranguejos e peixes herbívoros estão sempre comendo algas e assim evitando um eventual surto.

Para remoção destas algas não se pode generalizar entregando uma “receita” para que todos aquaristas utilizem de forma a eliminar algas indesejáveis no aquário, mas algumas dicas são muito úteis e geralmente se consegue proveito total, apenas certas dosagens variam de um aquário para outro, independente se a litragem for igual, a biota deve ser considerada e muitos outros fatores.

É sabido e com certeza, que o excesso de matéria orgânica é um dos principais fatores para o surgimento destas algas, pois se transformam em nutrientes para elas.

Geralmente, mesmo tendo um bom Skimmer, a produção de material orgânico dissolvido é maior do que o Skimmer pode remover, então este material orgânico que sobra irá se transformar num “prato cheio” de nutrientes para as algas ou cianobactérias, mas com a intervenção do aquarista com as dicas deste site o problema é resolvido. Já citei acima o ácido ascórbico, agora vou lhe dizer outra fórmula para eliminar cianobactérias, que é o permanganato de Potássio (vendido em farmácias), que é um forte oxidante.

Obviamente não posso lhe passar a dosagem exata porque não sei como esta a infestação no seu aquário bem como outros detalhes, a quantidade de matéria orgânica dissolvida, por exemplo, então você deve descobrir a dosagem ideal, mas como? Em dosagens mínimas duas vezes ao dia observando atentamente os animais e corais. Se os corais continuam abertos você vai aumentando a dosagem ou passe para 3 vezes ao dia e assim sucessivamente até a total eliminação das algas. Dependendo da quantidade de algas e da qualidade da água este aumento de dosagens poderá chegar até de 3 em 3 horas. A quantidade não importa, mas sim a frequência das dosagens, porque estaremos fazendo a redução de compostos orgânicos através da oxidação.

Mesmo após a eliminação destas algas deve-se estender o tratamento por alguns dias, com dosagens menores.

O permanganato de potássio irá oxidar toda matéria orgânica, mas neste período de tratamento é preciso repor bactérias, pois muitas irão morrer, poderá causar um desiquilíbrio no filtro biológico. Compre cepas de bactérias vendidas em lojas de aquarismo e utilize durante e principalmente após o tratamento para que o ecossistema volte ao normal.

Importante: Para este tratamento deve-se remover o carvão ativado, removedores de fosfato, de silicato e outros, deixando somente o Skimmer trabalhando. Fique atento ao Skimmer ele fará o trabalho pesado, talvez seja necessária alguma regulagem. Fazer uma TPA (10%) antes do tratamento ajuda, mas não é preciso.

Se você comprar o Permanganato de Potássio em comprimido de 100mg, dilua em 4 litros de água DI ou RO para iniciar as dosagens citadas acima. Ou metade do comprimido em 2 litros, etc.

Não há problemas neste tratamento, exceto se a dosagem for muito alta, o que ocasionaria um aumento no PH, mas nada além disto. Se notar que alguma coisa deu errado uma TPA irá solucionar o problema, mas pelo que li nada vai sair errado, e se não resolver o problema é porque a algo esta errado, como por exemplo: Mal funcionamento do Skimmer, ou este é muito pequeno para eliminar a carga orgânica do aquário; excesso de alimentação ou esta colocando algum suplemento demais.

Muito bem… o tratamento terminou e as algas sumiram, mas você obviamente terá que alimentar os habitantes do aquário, corais, peixes, invertebrados, etc., então como prevenir o excesso de carga orgânica para que as algas não voltem? Simples: Manutenção com Permanganato de Potássio.

Faça as dosagens várias vezes por semana dependendo da carga orgânica que você tem no aquário, se for muito utilize todos os dias, se for pouco uma vez por semana. O aquarista deverá observar, verificar de quanto em quanto tempo deverá realizar a manutenção. Talvez 2 vezes por semana será o suficiente. No período de manutenção você pode repor os itens citados acima quando entrou na fase de tratamento (carvão, removedores, etc).

O explicado acima nada mais é que aumentar o Potencial Redox – ORP, para deixar a água cristalina, livre de fosfatos, livre de bactérias, algas indesejáveis, etc., pois a matéria orgânica dissolvida irá oxidar com o tratamento indo para o Skimmer. Se você tem um teste para isto (ORP), se tornará bem mais fácil de definir os intervalos de manutenção. Se optar por este meio como prevenção não irá ter problemas com algas, pois sua água sempre estará limpa, sem matéria orgânica dissolvida. Aproveito para lembrar que manter o PH estável é muito importante, oscilações podem ocasionar um alto índice de fosfatos.



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