POLVO NO AQUÁRIO MARINHO

Polvo no aquário marinho

POLVO NO AQUÁRIO MARINHO

POLVO NO AQUÁRIO MARINHO



Acho um pouco excêntrico querer ter um polvo no aquário marinho, mas andei pesquisando e até encontrei quem tem. Depois me interessei pelo assunto e segue abaixo tudo que aprendi.Polvo é um molusco marinho da classe Cephalopoda, da ordem Octopoda (oito pés). O interessante é que estes moluscos têm três áreas no cérebro (gânglios) capaz de armazenar memórias, inclusive áreas dedicadas à aprendizagem. Possui lobos verticais e subfrontais usados somente para armazenar informações. Têm dois olhos localizados opostamente na cabeça, com pouca mobilidade, o que lhes dá visão de 360 graus, mas nenhuma visão binocular.

O Polvo tem um corpo mole, sem esqueleto interno ou externo, possui 8 braços flexíveis e fortes com ventosas e 2 tentáculos. O controle que o polvo tem nos braços é impressionante, capaz de apanhar objetos, carregá-los, etc. Sua defesa é soltar uma tinta densa e com cheiro no predador para fugir, ainda é capaz de se camuflar (mudar de cor e de textura – mimetismo) e também a auto-mutilação de seus braços quando em perigo extremo. Embora os polvos tenham estas estratégias de defesa ele ataca quando seu inimigo se for compatível para ele. Estas mudanças de cores poderão ocorrer com o polvo no aquário e demonstrarão seu estado de stress ou satisfação.

Lulas e Sépias não possuem oito braços. Ele também muda sua cor para alertar outros polvos sobre algum perigo eminente. A Moréia é uma das principais predadoras dos polvos. Suas ventosas são sensíveis ao toque físico, podendo sentir o sabor do objeto tocado, sua textura, mas não sua forma.

O ritual de acasalamento pode demorar varias horas ou dias, a reprodução ocorre de forma sexuada. O macho morre após alguns meses da cópula. É a fêmea quem cuida dos ovos contra algas e predadores. Neste momento a fêmea não se alimenta e morre após a eclosão dos ovos. Após a eclosão, os filhotes (Mini-Tentacloidis) se alimentam de pequenos animais do plâncton como copépodes, larvas de caranguejos e estrelas-do-mar.

Seu poderoso bico, que podemos chamar de “dentes” são tão fortes que racham crustáceos e moluscos. Também tem uma língua farpada (rádula) que é usada pelo polvo para raspar um animal para fora de sua concha quando esta está aberta. Uma espécie de saliva também é usada para corroer a concha e enfraquecer a presa. Se você vai ter um polvo no seu aquário pense nisso.

Se você pretende ter um Polvo no aquário lembre-se que ele se alimenta de peixes, crustáceos, invertebrados, etc., ele pega com os braços e mata com seu bico duro (quitinoso), então será preciso um aquário somente para ele, sem qualquer outro animal, porém só vai viver por volta de 1 ano, pois na natureza a expectativa de vida é de 2 anos no máximo, mas se você não alimentá-lo com uma variedade de comida e não deixa-lo em um “perfeito” habitat ele não chegará à alguns meses. Você poderá alimentá-lo com crustáceos, pedaços de sardinha (e outros peixes) e camarões vendidos em supermercado e obviamente com peixinhos vivos (de água salgada).

Só para lembrar, o polvo “Paul” que ficou conhecido nos jogos da Copa do Mundo era da espécie Octopus Vulgaria.

Se você morar perto da praia (com água limpa), então terá oportunidade de oferecer uma comida variada, alimento vivo para manter o polvo mais ativo e sadio, como por exemplo: siris, caranguejos e peixes.

Como tem hábitos noturnos alimentá-lo à noite. Nunca coloque peixes que podem apresentar perigo para o polvo, senão ele poderá soltar o líquido tóxico e acabar morrendo por não ter por onde fugir. São as fileiras de ventosas na parte de baixo de cada tentáculo que permitem o polvo se locomover.

Outro método de fuga eficaz do polvo é que ele consegue ir em direção oposta cerca de 40 Km/h. Isto ocorre porque ele armazena água dentro de seu manto e expele com vigor causando uma grande propulsão.

O aquário tem que estar bem preparado, pois os polvos são mestres em fuga (veja o vídeo abaixo), eles procuram por qualquer buraquinho, bem menores que eles, e são capazes de escapar, morrendo no chão próximo ao aquário obviamente. Terá que por tela (tipo mosquiteiro) em todos os locais vulneráveis para fuga. Existem histórias incríveis sobre fuga de polvos do aquário, bem como outras que evidenciam uma inteligência incrível dos polvos que a ciência ainda não conseguiu explicar.

Como são animais solitários eles aprendem sozinhos, sem contato com outros membros da família, sem influência dos seus ascendentes.

Para se ter um polvo no aquário marinho os parâmetros são os mesmos para aquários de corais, que você poderá ver na respectiva página “Parâmetros”.

O item mais importante que sai dos parâmetros comuns do aquário de corais é a oxigenação, que tem que ser muita, usar uma bomba específica para isto. TPAs também podem ser mais espaçosas, ou seja, 20% mensal ou quinzenal dependendo do tamanho do aquário. O aquário vai requerer rochas e conchas grandes, onde o polvo passará a maior parte, fazendo mudanças de lugar periodicamente. Vai gostar de capturar peixinhos e camarões que tentarão se esconder em fendas nas rochas. Não vi relatos sobre corais no aquário, mas acredito que corais moles podem ser colocados, somente os moles.

O ideal é começar com um polvo tropical de aproximadamente 10 cm (pequeno) num aquário de 200 litros só para ele. Não colocar bombas dentro do aquário. Travar a tampa para que ele mesmo forçando não consiga abrir. Parâmetros constantes e TPAs regulares. Ele irá comer muito e vai crescer muito rapidamente. Veja a espécie que vai colocar, pesquise! pois algumas espécies podem crescer absurdamente e vai acabar morrendo por falta de espaço, principalmente se foi capturado no oceano e não adquirido por cativeiros especializados (se existir, não conheço). Há polvos gigantes no oceano Pacífico.

O sangue do polvo é azul. A cor azul vem da hemocianina, a proteína que contém cobre e que retém oxigênio no polvo. O cobre é ineficiente no carregamento de oxigênio, o que ajuda a explicar porque o animal às vezes aparenta preguiça. Para lidar com os baixos níveis de oxigênio, o polvo mantém uma pressão sanguínea constantemente alta e tem três corações. Dois dos corações bombeiam sangue rico em oxigênio através das guelras, enquanto o terceiro circula o sangue pelo resto do corpo. Por esta razão a água do aquário deve ser muito bem oxigenada com uma bomba específica para isto.

Somente com estas explicações acima deu para notar que não é viável se ter um polvo no aquário, é tirar uma espécie brilhante do seu habitat para morrer num vidro quadrado. O lugar dele é na natureza, em liberdade.

Diz-se que o polvo tem cerca de 500 milhões de neurônios dos quais 1/3 estão no cérebro. Pesquisadores estão estudando.

Outra coisa que merece atenção é que tem mini-polvos extremamente venenosos, como no caso o Polvo-de-anéis-azuis, que vive na costa da Austrália, seu veneno composto de uma mistura de tóxicos (tetrodotoxina), é capaz de matar 20 homens com apenas uma dose.

Se você tem um polvo no aquário ou conhece mais sobre o assunto, compartilhe com a gente. Utilize o formulário abaixo. Obrigado



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